quinta-feira, 4 de abril de 2013

CONVERSA AO PÉ DA PORTA:



- `Tarde, compade Juca. Ouvi dizerim no Bar do Zoião qui a tar da pormotoria da cidadi tá mandano ofício tudo dia pra perfeitura de São Miguer.
- Uai, compade Caju, mór de quê qui isso tá se passano?
- Diz que a tar de festa da uva já dexô rastaiada rúim e a pormotoria qué sabê duma tar de licitação qui parece qui num foi feito no legar, Juca. 
- Mais a tar da Paliato num foi boa? Puis foi ela, num foi, Caju?
- Num é isso, compade. Tão suspeitano de fraude, compade Juca.
- Quê qué isso, compade Caju?
- O tar di contrato pra tercerizá a tar da festa num devia de tê sido feito do jeito qui foi feito i intão istrumbicô, Juca.
- Num será por farta de sabê das coisa, dinformá mió, compade Caju?
- Ué, compade Juca, puis onde já si viu qui a Paliato já trabaiava 
antis da tar licitação tê sido feita oficiarmente? 
- Credo, compade Caju, intão o prego foi batido antis da hora?
- Mais ou menos, Juca. A tar de Paliato já comandava tudo desde o ano passado. Num tinha nenhum concorrente prela. A tar foi agindo, foi lá buscando show, vendeno espaços no lugar da festa - e caro, compade! - e quando os intendido se a
perceberum, já era tardi.
- I daí, compade?
- Daí, Juca, elis correrum fazê uma licitação fajutada. Teve inté rombo, puis a tar de Paliato teve qui remunerá até os organizador da festança, como sempre fizerum na cidade.
- Mais compade, organizador tamém num deve di ganhá?
- Ara, compade, tudos já tinhum daquelis  tar di 
cargo comissionado.
- Crendospade, compade Caju. Nessa confusão, parece inté qui o santo São Miguer tá virano a cara pra nóis.
- Bamo rezá, Juca!
- Intão bamo, compade Caju!

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