sexta-feira, 5 de abril de 2013

" UMA ARTE", DE ELIZABETH BISHOP.



A arte de perder não tarda aprender;

tantas coisas parecem feitas com o molde

da perda que o perdê-las não traz desastre.

Perca algo a cada dia.
Aceita o susto
de perder chaves,

e a hora passada embalde.

A arte de perder não tarda aprender.

Pratica perder mais rápido mil coisas mais:

lugares, nomes, onde pensaste de férias ir.
Nenhuma perda trará desastre.
Perdi o relógio de minha mãe.
A última,
ou a penúltima, de minhas casas queridas 
foi-se. 


Não tarda aprender, a arte de perder.
Perdi duas cidades, eram deliciosas. 
E,
pior, alguns reinos que tive, dois rios, um
continente. 
Sinto sua falta, nenhum desastre.
— Mesmo perder-te a ti (a voz que ria, um ente
amado), 
mentir não posso. 
É evidente:
a arte de perder muito não tarda aprender,
embora a perda - escreva tudo! - lembre desastre.



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