quarta-feira, 21 de outubro de 2020

TODO MUNDO SABIA, MAS A JUSTIÇA SÓ AGORA FARÁ JUS AO FATO. NÃO SE APIADE, ALEXANDRE DE MORAES!

 

Com pouca sorte, Bolsonaro vê Alexandre de Moraes assumir relatoria do inquérito sobre interferência na PF.
Por Redação Ucho.Info/20 de outubro de 2020.


Após deferir pedido do ex-juiz Sérgio Moro para que o processo sobre eventual interferência do presidente da República na Polícia Federal, por conta da necessidade de a questão ser decidida com celeridade, o Supremo Tribunal Federal (STF) realizou sorteio eletrônico e o caso passa à relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
Se na política há o chamado “inferno astral”, como garantem alguns, o presidente Jair Bolsonaro não está vivendo o melhor momento no cargo. 
Isso porque para os interesses do chefe do Executivo a escolha de Alexandre de Moraes como relator é a pior possível.
É importante ressaltar que, além de ser o relator dos inquéritos que apuram os atos antidemocráticos e as fake news, que têm na alça de mira o deputado federal Eduardo Bolsonaro e o vereador carioca Carlos Bolsonaro, o ministro Alexandre de Moraes foi responsável por suspender, em 29 de abril passado, a nomeação de Alexandre Ramagem para o comando da PF. 
O magistrado alegou em sua decisão “desvio de finalidade” por parte de Bolsonaro.
O escândalo surgiu após a fatídica reunião ministerial de 22 de abril, quando Bolsonaro deixou explícito o seu desejo de controlar a PF e outros órgãos oficiais de investigação, com forma de blindar os filhos e amigos próximos. 
Dias após o encontro na sede do governo, Moro foi surpreendido com a exoneração de do ex-diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, pessoa de confiança o então juiz da Operação Lava-Jato.
Horas depois, Sérgio Moro convocou coletiva de imprensa na sede do Ministério da Justiça e anunciou sua demissão, revelando detalhes da tentativa de interferência do presidente da República na corporação policial. 
Uma guerra de versões seguiu ao anúncio de demissão, até que Moro revelou o suficiente para a abertura de um inquérito.
O caso estava sob a relatoria do outrora decano do STF, Celso de Mello, cuja aposentadoria compulsória ocorreu no último dia 13. Antes de se aposentar, Celso de Mello determinou que o depoimento de Bolsonaro à Polícia Federal deveria ser presencial.
Em sua decisão, Celso de Mello afirmou que qualquer investigado, chefe de Poder ou não, deve submeter-se a interrogatório presencialmente, de acordo com o que determina a legislação vigente. 
“Nunca é demasiado reafirmar que a ideia de República traduz um valor essencial: a igualdade de todos perante as leis do Estado. Ninguém, absolutamente ninguém tem possibilidade para transgredir as leis. Ninguém está acima da autoridade e do ordenamento jurídico brasileiro”, declarou o ministro em seu voto em plenário.
O pedido da defesa de Moro se deveu ao fato de que com a aposentadoria compulsória de Celso de Mello, todos os processos sob sua relatoria serão, assumidos pelo substituto, no caso o desembargador Kássio Nunes Marques, indicado ao posto por Bolsonaro e cuja sabatina no Senado está agendada para quarta-feira (21).

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