O mundo é hipócrita.
O mundo político é três vezes hipócrita.
É um perigo andar por aí sem as luzinhas de advertência no painel.
Sabe aquela luzinha vermelha ou amarela que acende no painel do carro para avisar que a gasolina está acabando, ou que a temperatura está alta demais, ou que há alguma coisa errada com o nível do óleo?
Pois é: o ministro Paulo Guedes precisa mandar consertar, urgente, a sua.
Por falta de um alerta automático que diz “não utilize essa palavra”, “não fale isso agora”, etc., o carro ainda vai acabar deixando o ministro na mão, travado à beira da estrada.
Todo mundo – todo mundo mesmo – gostaria de dizer “na lata” uma porção de coisas.
Só que não diz, porque se você for dizer a verdade sempre, sobre tudo, e na frente de todos, a sua vida ficará insuportável.
Em política, então, é pior ainda.
A última, depois do “parasitas” para os funcionários públicos, é a das “domésticas” que estão indo para a Disney, uma prova de que o dólar anda baixo demais.
Nove em 10 brasileiros acham a mesma coisa, ou fingem que não acham porque têm vergonha de dizer.
Só que fica todo mundo quieto, mantendo suas opiniões para si próprio ou para o seu círculo mais estreito de relações.
Se não for assim, dá problema.
Para um ministro de Estado, então, dá problema de tamanho federal.
É uma festa para os inimigos – principalmente para aqueles que mal se lembram da cara dos seus empregados domésticos, mas se cobrem de indignação com mais essa prova da alma “antipovo” de Guedes.
O mundo é hipócrita.
O mundo político é três vezes hipócrita.
É um perigo andar por aí sem as luzinhas de advertência no painel.
J. R. Guzzo - Jornalista

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