Polícia Federal investiga fraude em demarcação de terra indígena em área nobre de Brasília.
Comunidade vive no Noroeste, região localizada a 11 km do Congresso Nacional.
Operação cumpre seis mandados judiciais nesta terça-feira (18).
Por Isabela Camargo, Gabriel Palma e Marília Marques, TV Globo e G1 DF

PF investiga possível fraude na demarcação do Santuário dos Pajés, em Brasília.
Policiais federais cumprem, na manhã desta terça-feira (18), seis mandados judiciais no Santuário dos Pajés, no Distrito Federal. A operação investiga uma suposta fraude processual na demarcação do território.
A área – considerada sagrada pelos indígenas – está localizada no Noroeste, área nobre de Brasília a 11 quilômetros do Congresso Nacional (veja detalhes abaixo).
Ao todo, são cinco mandados de busca e apreensão no território e um mandado de busca exploratória. A força-tarefa, que mobilizou 80 agentes nas ruas da capital, foi autorizada pela 15ª Vara Federal do DF.
Segundo a PF, o objetivo também é realizar perícias no local e investigar a denúncia de posse ilegal de armas de fogo por moradores. O G1 tenta contato com a defesa dos indígenas da região.
Até a publicação desta reportagem não havia informações sobre presos. Os envolvidos podem responder por fraude processual e posse irregular de arma de fogo. A pena prevista para esses casos é de até cinco anos de prisão.
Demarcação
Em junho de 2018, após uma década de negociação, a comunidade indígena que vive no Noroeste e a Agência de Desenvolvimento do DF (Terracap) fecharam um acordo para a demarcação de terras localizadas na região.
Os indígenas da aldeia urbana reivindicam a presença no local desde 1960. Parte da área, equivalente a 30 campos de futebol, fica dentro de uma unidade de conservação.
O conflito começou em 2008, quando lotes do setor Noroeste começaram a ser vendidos. À época, os índios alegavam que a área serviu como cemitério indígena antes da construção de Brasília e que, por isso, teria valor sagrado.
Santuário dos Pajés
Pelo menos 150 indígenas viviam no território conhecido como Fazenda Bananal e no Santuário dos Pajés até o ano passado. Além do cemitério ancestral, a área também abriga um templo dedicado ao culto de Tupã – divindade indígena.
As casas construídas na aldeia se dividem entre alvenaria e taipa. O acesso é a partir da quadra 108 do Noroeste ou pela DF-003. No local há também a estrutura de uma escola indígena, desativada há quatro anos, onde as crianças aprendiam o tupi.
Quando o G1 teve acesso ao santuário, em 2018, os indígenas da região disseram sofrer discriminação por parte de outros moradores do setor Noroeste.
"Alguns deles acham que nós somos invasores. Mas quando chegamos aqui, não tinha ninguém", disseram à reportagem.
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