quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

MARCELINO DOS SANTOS, 90 ANOS.

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Morreu Marcelino dos Santos, um dos fundadores da FRELIMO.
Publicado a: 11/02/2020


Marcelino dos Santos, um dos fundadores e maiores impulsionadores da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), partido no poder há mais de 40 anos Dutch National Archives.
Texto por:RFI

Marcelino dos Santos, membro fundador da Frente de Libertação de Moçambique, onde chegou a vice-presidente, morreu esta terça-feira aos 90 anos. "Não esperámos que acontecesse o que hoje aconteceu para o declararmos nosso herói", disse o Presidente da República.
Marcelino dos Santos, um dos fundadores da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), faleceu esta terça-feira aos 90 anos, vítima de doença prolongada. 
O político viveu de forma tão intensa a causa nacionalista e à Frente de Libertação de Moçambique, movimento criado em 1962, que chegou a afirmar: "Não sou da Frelimo, sou a Frelimo".
Antes da Frelimo, contudo, Marcelino dos Santos já tinha mostrado um forte interesse pela causa da independência de Moçambique. Durante a sua estadia pela capital portuguesa, Lisboa, entre 1948 e 1951 destacou-se, na Casa dos Estudantes do Império e no Centro de Estudos Africanos, como militante anticolonialista.
No entanto, face à perseguição movida pela PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado), teve que abandonar Portugal e mudou-se para Paris, onde estreitou a relação com o nacionalista angolano Mário Pinto de Andrade.
Os dois estabeleceram vínculos de amizade e camaradagem com quase todos os dirigentes dos movimentos que conduziram as antigas colônias francesas de África à independência.
Marcelino dos Santos foi também uma destacada figura na política de Moçambique no pós-independência, alcançada em 1975, com um papel preponderante na construção do Estado.
Marcelino dos Santos, um dos símbolos do nacionalismo africano, foi Ministro da Planificação e Desenvolvimento, cargo que deixou em 1977 com a constituição do primeiro parlamento do país, nessa altura designado por “Assembleia Popular”, do qual foi presidente até à realização das primeiras eleições multipartidárias do país, em 1994.
Nos últimos anos, Marcelino dos Santos, pouco era visto publicamente, dado o estado de saúde débil, que acabou por calar a voz do combatente, político, poeta e revolucionário.
O anúncio da morte partiu do chefe de Estado, Filipe Nyusi, no final de um comício em Pemba, província de Cabo Delgado em que disse: "Perdemos o nosso ícone, o camarada Marcelino dos Santos”, ao acrescentar que se irão "organizar, como Governo, porque ele já foi proclamado herói nacional. Não esperamos que acontecesse o que hoje aconteceu para o declararmos nosso herói”, concluiu.

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