terça-feira, 28 de janeiro de 2014

A JUSTIÇA TRABALHA POR SI MESMA EM PIEDADE


Agnaldo Luiz de França Cruz, 25 anos, que era procurado pela Justiça, condenado por um crime de ameaça, faleceu no último dia 27, em Piedade, em decorrência de ferimentos causados durante uma briga. 
Conforme informações, o rapaz foi espancado e esfaqueado por alguns indivíduos desconhecidos na madrugada de domingo. Levado para a casa da mãe, esta chamou por socorro.
Atendido na Santa Casa de Misericórdia de Tapiraí, teve de ser transferido ao Hospital Regional de Sorocaba, onde veio a falecer.


LAVRADOR SEM SORTE

Um lavrador de 30 anos morreu afogado no bairro Amola Faca, em Piedade, na tarde do último domingo.
Chamava-se Marcos Rodrigo Furtado; foi socorrido por uma testemunha, Arthur de Moraes César, mas não resistiu e faleceu no local.
Fonte: Folha de Piedade



LAVRADORA SUJA O NOME EM PIEDADE

A lavradora C. S., 37 anos, foi detida no último sábado, em Piedade, após furtar um supermercado.
Com ela, a PM apreendeu três pedaços de bacon, quatro salsichas, um pacote com seis unidades de linguiça calabresa, três aparelhos de barbear, um frasco de inseticida, um amaciante e um pedaço de queijo meia-cura.
Presa em flagrante, pagou fiança no valor 700 reais e vai responder ao processo em liberdade.

Fonte: Folha de Piedade

"ALMANAQUE SÃO MIGUEL"

Dizia um grande filósofo que o Governo é parecido com o aparelho digestivo. Quando tudo vai bem, a gente nem sabe que existe.
Li isto no "Almanaque São Miguel", de 1954, ofertado pelo saudoso Cônego Francisco Ribeiro ao também saudoso Paulo Manuel Silva, conhecido como Paulico Brandão, o mais fino e elegante barbeiro que São Miguel Arcanjo já teve.
Esta relíquia me foi ofertada pelo seu filho, Paulo Manuel Silva Filho. 


Digo relíquia, porque traz a letra do nosso querido Padre Francisco (deu para ver?).
Editado em terras gaúchas, o Almanaque São Miguel 1954 traz um conto de Carmen Pinheiro Dias intitulado "O Outro Papai Noel"; uma entrevista de Joseph J. Sullivan com a primeira mulher na história a ver a canonização de uma filha: Signora Assunta Goretti, mãe da santa Maria Goretti; algumas pesquisas científicas sobre o mistério do Universo; uma história verdadeira sobre o náufrago ateu que encontrou a fé: trata-se de uma passagem na vida do capitão Eddie Rickenbacker, do coronel Hans C. Adamson e seis companheiros ( dentre eles o autor da narrativa, James C. Whittaker, ateu) que passaram 21 dias entre a vida e a morte em pequenas jangadas de borracha no sudoeste do Pacífico; Orpheu Spalding escreve sobre os mártires de Lião; Anacleto Ortigara fala sobre a aparição de Nossa Senhora em La Salette; um texto sobre Fátima; um texto do antigo radialista Guimarães Santos; pesquisas atuais sobre a China; estudos sobre o gaúcho ( suas lides, seus costumes e divertimentos); milagres de Cristo; cirurgia no coração; artigo de Steven M. Spender sobre o átomo; texto sobre Luiz Slotin, a primeira vítima da bomba atômica; texto de Fulton Sheen sobre o amor; estudos sobre os discos voadores; texto do padre Pedro Schneider; um conto de Cláudio J. Furtado; Sousa Costa conta passagens da vida de São Francisco de Assis; um conto de Gustavo Barroso; um conto de Coelho Neto; um texto de Gabriela Swinger Silveira; um comentário de Felipe Baleine sobre Júlio Verne, o profeta do século XX; um conto regional de Benito José Fattori; muita publicidade, alguns poemas, pensamentos célebres, piadas e passatempos. 
Voltando ao pensamento com o qual iniciei esta postagem, atrevo-me a dizer que o perigo existe sempre que o nosso aparelho digestivo estiver funcionando bem.
Viu só o quanto viajamos?
   

COGITANDO:

Os desejos, com o tempo, arrefecem-se, acabam mudando ou sendo substituídos e até mesmo esquecidos.
E quando é o tempo que nos entorpece?
Antes, cantávamos ao ver o sol de manhã, brilhando como uma nova flor a perfumar o dia.
Hoje, o calor do astro tornou-se tão máximo e desanimador que nosso desejo é vê-lo desaparecer no horizonte e rezar por uma chuva que nos cubra de infinito gozo.
A natureza não está para brincadeira.
Então, ao presenciar um tempo como o de agora, ficamos a imaginar como é a vida do pequeno sitiante, de sol a sol, carpindo, arando, matando cobras, jogando sementes à terra quase estorricada pelo sol escaldante, depois limpando de novo, arrancando as braquearas que teimam em nascer, fazendo promessas para ver, enfim, eclodir do chão o fruto do seu trabalho.
E o gado?
Mesmo que poucas cabeças, como sofrem na estiagem!
E o tempo, lá na frente, vai mostrando outras estações e volta a perigar no período das chuvas que não dão trégua ao trabalhador.
Aí, o sitiante perde tudo, porque até a casa dele vira lodo.
Concluímos que o Brasil mudou.
Que a natureza de hoje fez o Brasil mudar.
O antigo sitiante é só um idealista sonhador.
E neste Brasil não cabe mais sonhar.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

"DECIFRANDO O ROLEZINHO"

Denis Lerrer Rosenfield* - O Estado de S.Paulo

A questão dos rolezinhos não deixa de suscitar indagações, com diferentes atores políticos adotando posições segundo as suas próprias conveniências, como se se tratasse de um enigma difícil de decifrar. E assim é porque no Brasil tudo o que foge ao controle governamental ou coloca uma pequena dissidência em relação ao PT ou à mentalidade de esquerda reinante termina se apresentando como um "enigma".
Nas jornadas de junho foi mais fácil distinguir três momentos: a) primeiro, o das manifestações em sua irrupção, caracterizadas por autonomia e espontaneidade, configurando uma expressão legítima da sociedade dizendo não às péssimas condições de mobilidade urbana, saúde e educação. Ressaltava-se uma reação da sociedade, dizendo basta à corrupção e à malversação de recursos públicos; b) segundo, a instrumentalização desses grupos pelos movimentos sociais organizados - MST e organizações afins -, pela CUT e pelo PT, procurando apropriar-se do movimento; c) terceiro, a irrupção da violência, mais conhecida como ação dos black blocs, caracterizada pela ação radical de grupos de extrema esquerda tentando apresentar-se como os verdadeiros protagonistas.
A especificidade dos rolezinhos consiste em que os momentos a e b ocorreram quase simultaneamente, enquanto o c se encontra em gestação, podendo ou não surgir conforme o desenrolar dos acontecimentos. O momento a se caracterizaria pela participação, digamos, espontânea de jovens dos subúrbios, tentando "ocupar" os shopping centers como se fossem lugares públicos equivalentes a ruas e praças. Acontece que essas manifestações foram praticamente simultâneas às dos movimentos sociais organizados, como o dos sem-teto, um braço urbano do MST, e por diferentes grupos de extrema esquerda. Houve, por assim dizer, uma confluência entre esses dois processos, fazendo que coincidissem.
Note-se que nas jornadas de junho os jovens se manifestaram nas ruas, que é o local mais adequado para esse tipo de mobilização. Não houve, em seu primeiro momento, nenhuma conotação anticapitalista, mas, ao contrário, uma indignação apartidária com os governos federal, estaduais e municipais pela péssima qualidade dos serviços públicos. Ademais, havia uma clara insatisfação com os partidos políticos e os movimentos sociais organizados.
Agora há uma diferença essencial. As manifestações estão sendo feitas em shoppings, que são locais privados, empresariais. Isto é, os manifestantes, mesmo nos genuínos rolezinhos, apesar de gostarem de roupas de grife, já se dirigem a estabelecimentos privados apagando a distinção entre o público e o privado. De um lado, identificam-se com a economia de mercado e o consumo, procurando ter mais de seus produtos; são pró-capitalistas nessa perspectiva. De outro, não respeitam a propriedade privada.
Nesse sentido, eles se tornam massa de manobra de alto potencial de manipulação, pois são mais facilmente dirigidos contra um "símbolo" do capitalismo e do consumo, que é o caso dos shoppings. Observe-se que os representantes da esquerda governamental logo fizeram declarações contra a "discriminação racial", a favor dos "excluídos" que não seriam tolerados pelas "elites", contra os "conservadores", e assim por diante. Eles procuraram imediatamente colocar-se junto aos rolezinhos visando a cooptá-los e, na verdade, arregimentá-los para suas hostes. Estaria em curso um processo de apropriação dos rolezinhos na perspectiva dos movimentos sociais organizados, ao estilo sem-teto/MST, CUT, UNE e congêneres.
O que está hoje em foco é toda uma campanha de formação da opinião pública de parte desses grupos mais à esquerda, visando a criar uma mentalidade contrária aos shoppings que sirva de base às ações de ocupação/invasão. É como se os shoppings se colocassem de forma contrária à liberdade constitucional de ir e vir. Vejamos os termos dessa falácia.
Corredores de shoppings não podem ser equiparados a ruas ou praças. Os primeiros são locais que pertencem a empresas, os segundos são locais públicos. Não se pode confundir um locar com acesso público com um local público.
Se os corredores de shoppings são "ocupados" por grupos de centenas ou milhares de pessoas correndo de um lugar para outro, os frequentadores habituais desses estabelecimentos privados não têm mais nenhuma liberdade de ir e vir.
Corredores de shoppings não são pensados como locais para manifestações públicas, estão voltados para sua atividade-fim, que é comercial. Não se pode aplicar a eles a lógica das ruas e praças, que obedecem, isso sim, a outras finalidades.
Mesmo no caso de ruas, por exemplo, o poder público não permite que elas sejam aleatoriamente "ocupadas" por centenas ou milhares de manifestantes precisamente por impedirem a liberdade de ir e vir de outros cidadãos. Se isso não vale nem para as ruas, por que valeria para os shoppings?
Os tumultos ocasionados por essas manifestações em shoppings, além de desrespeitarem a liberdade de ir e vir de seus frequentadores habituais, podem suscitar medo em pessoas que lá passeiam com crianças. O mesmo se dá com idosos, que podem sentir-se ameaçados por jovens que correm de um lugar para outro.
Há uma questão da maior relevância, relativa à construção e arquitetura dos shoppings, planejados para serem visitados por um determinado número médio de pessoas, segundo um desenho específico. Não são pensados para abrigar manifestações públicas. Sua arquitetura não permite uma invasão de milhares de pessoas para correrem em seu interior, cantando e criando tumulto. Para esse efeito não importa que sejam jovens, idosos, brancos, negros, homens ou mulheres. Não há aí nenhuma questão de discriminação, mas tão somente de quantidade e de forma de manifestação.
Cuidado com a ótica ideológica, ela pode obliterar a visão!

*Denis Lerrer Rosenfield é professor de filosofia na UFRGS. E-mail:denisrosenfield@terra.com.br

"PORCA SONOLENTA"

ESTADO: Quantos inquéritos sobre desvios de recursos públicos estão em andamento?

LEANDRO DAIELLO: Dados de dezembro de 2013 mostram que estão em andamento 12.870 inquéritos policiais em todo o Brasil que apuram, inclusive, a prática de crimes que envolvem o desvio de recursos públicos. Importante salientar que este número representa mais de 10% de todas as investigações em curso na Polícia Federal, que totalizam 108.822 inquéritos policiais em andamento.

ESTADO: Quais as áreas do serviço público mais afetadas?

LEANDRO DAIELLO: São afetadas diversas áreas do serviço público conforme demonstram as nossas recentes operações especiais. E o mais importante é que após cada uma das investigações, é possível ao gestor público diagnosticar eventuais fragilidades na sua respectiva área e tomar medidas para aperfeiçoar os instrumentos de controle.

ESTADO: Historicamente, as organizações criminosas miram mais afoitamente os recursos da saúde e da educação. Por quê?

LEANDRO DAIELLO: Apesar de se observar desvios em diversas áreas da administração pública é importante salientar que a maior fatia dos recursos orçamentários das áreas da saúde e educação são descentralizados para milhares de prefeituras, as quais são responsáveis por sua aplicação no interesse da população. Desde 2011, a Polícia Federal instaurou mais de 3000 investigações contra prefeituras por mau uso de verba pública federal.

OBS: Leandro Daiello é Chefe da Polícia Federal.
Leia mais na coluna do Fausto Macedo, no Estadão.