sábado, 11 de janeiro de 2020

UM POETA E SEUS 14 FILHOS...

Alphonsus de Guimaraens
Afonso Henrique da Costa Guimarães, conhecido como Alphonsus de Guimaraens, nasceu em Ouro Preto, Minas Gerais, no dia 24 de julho de 1870 e faleceu com 50 anos de idade, em 15/07/1921. 
Filho do comerciante português Albino da Costa Guimarães e de Francisca de Paula Guimarães Alvim, fez os cursos básicos em Minas Gerais.
Aos 17 anos se apaixonou pela prima Constança, filha do escritor Bernardo Guimarães seu tio-avô. 
Com a morte prematura da prima, em 1888, o poeta abandonou o curso de Engenharia e se entregou a vida boêmia.
Nessa época, Alphonsus de Guimaraens já colaborava no Almanaque Administrativo, Mercantil, Industrial, Científico e Literário do município de Ouro Preto.
Em 1891 resolve viajar para São Paulo com o amigo José Severino de Resende, e inicia o curso de Direito na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, entrando em contato com os poetas simbolistas. 
De volta para Ouro Preto, em 1893, continua o curso de Direito na recém-criada Academia Livre de Direito de Minas Gereis, colando grau em 1895.
Viajando para o Rio de Janeiro, lá conheceu Cruz e Souza, poeta que já admirava e que junto com Alphonsus e Augusto dos Anjos se tornariam os principais autores do Simbolismo no Brasil.
De volta a Minas Gerais, em 1906, Alphonsus é nomeado promotor de Conceição do Serro, hoje Conceição do Mato Dentro, ocupando em seguida o cargo de juiz municipal em Mariana. 
Em 1897, casa-se com Zenaide de Oliveira, com quem teve 14 filhos. 
Dividiu seu tempo entre as atividades de juiz e a produção de sua obra poética.
Um poema seu:

                             Esse Amor

Rosas que já vos fostes, desfolhadas
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Por mãos também que já foram, rosas
Suaves e tristes! Rosas que as amadas,
Mortas também, beijaram suspirosas...

Umas rubras e vãs, outras fanadas,
Mas cheias do calor das amorosas...
Sois aroma de almofadas silenciosas,
Onde dormiram tranças destrançadas.

Umas brancas, da cor das pobres freiras,
Outras cheias de viço de frescura,
Rosas primeiras, rosas derradeiras!

Ai! Quem melhor que vós, se a dor perdura,
Para coroar-me, rosas passageiras,
O sonho que se esvai na desventura ?

— Alphonsus de Guimaraens - 

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