quarta-feira, 17 de abril de 2019

A MALDIÇÃO DA ODEBRECHT

Corrupção no Peru: entenda denúncias envolvendo a Odebrecht e 4 ex-presidentes peruanos.
Alan García morreu após dar tiro na cabeça quando ia ser preso. Construtora brasileira fechou acordo de colaboração devido a denúncias de propina e financiamento de campanha.
Por G1
17/04/2019 12h45 Atualizado há 13 minutos


Prédio da Odebrecht na capital peruana, Lima — Foto: Reuters/Janine Costa.
O ex-presidente do Peru Alan García, que morreu nesta quarta-feira(17) em um hospital de Lima após dar tiro na cabeça, foi alvo de denúncia de recebimento de propina da empreiteira brasileira Odebrecht durante campanha eleitoral. Segundo policiais ouvidos pela agência Reuters, o tiro foi disparado por García quando policiais chegaram na casa dele para prendê-lo.
As acusações envolvendo García são parte da operação Lava Jato no vizinho sul-americano, que tem a Odebrecht e parte do antigo alto escalão político do país no centro das investigações. Além de García, outros três ex-presidentes são investigados (leia mais abaixo).
Entenda denúncias envolvendo a Odebrecht no Peru:


Alan García está em coma e estado de saúde é crítico
Denúncias e acordo de colaboração
A Odebrecht é investigada no Peru por ter pago propinas milionárias entre 2005 e 2014 para ganhar contratos de obras de infraestrutura e por ter financiado de forma ilícita campanhas eleitorais dos principais partidos políticos e candidatos à presidência.
As investigações indicam o envolvimento no esquema dos quatro últimos ex-presidentes peruanos e da líder da oposição, Keiko Fujimori.
Em fevereiro deste ano, a Odebrecht fechou acordo de colaboração com o governo do Peru, oitavo país com o qual a construtora se compromete a contribuir com investigações sobre denúncias na qual está envolvida. Além do Brasil e do Peru, a empresa assinou termos com Estados Unidos, Suíça, República Dominicana, Panamá, Equador e Guatemala.
O esquema da empresa lá fora tem traços semelhantes aos casos de corrupção no Brasil: pagamento de propina a políticos em troca de obras superfaturadas.
Procuradores peruanos iniciaram, entre o final de 2016 e o início de 2017, cooperação com autoridades brasileiras em troca de informações sobre a Lava Jato. Neste período, o acesso a milhares de documentos e a depoimentos de testemunhas levaram às suspeitas contra os ex-presidentes.

Prejuízo causado e multa
A CPI da Lava Jato que atuou no Congresso peruano em 2018, estimou que, em 15 anos, o custo do superfaturamento ligado à Odebrecht tenha chegado a US$ 3 bilhões.
A empreiteira se comprometeu a pagar uma multa de US$ 182 milhões no prazo de 15 anos para continuar operando no Peru, conforme relatou a agência Reuters. No entanto, o atual presidente peruano, Martín Vizcarra, afirmou que a empresa não deve continuar atuando lá porque "contaminou a atividade privada" e admitiu subornar funcionários públicos.
"Independentemente do acordo que a Odebrecht tenha feito com o Ministério Público em troca de informações, algo que respeito, é minha opinião que ela não deve continuar trabalhando no Peru", afirmou.
"É uma empresa que contaminou o setor privado. Há muitas empresas respeitáveis aqui, mas agora há desconfiança de todas as outras por conta da Odebrecht."

O que a Odebrecht já admitiu
Segundo a construtora informou ao Congresso peruano, US$ 782 mil foram repassados apenas para uma empresa de consultoria do ex-presidente Pedro Pablo Kuczynski (PPK).
Para construir trechos da rodovia Interoceânica, que liga o litoral do Peru à fronteira com o Brasil, a empresa contou ter pago US$ 20 milhões de propina ao ex-presidente Alejandro Toledo.
Depoimento de Marcelo Odebrecht revelou o investimento de US$ 3 milhões só na campanha de Ollanta Humala.


Desdobramentos da Lava-Jato põem Justiça atrás de outros ex-presidentes.
Ex-presidentes investigados e prisões.
As denúncias envolvendo a Odebrecht no Peru investigam os quatro últimos ex-presidentes peruanos - todos sempre negaram as acusações. São eles:
Alan García (1985-1990, 2006-2011) - investigado por financiamento irregular de campanha, lavagem de dinheiro e tráfico de influência;morreu depois de dar tiro na cabeça quando a polícia chegou à casa dele para prendê-lo;
Alejandro Toledo (2001-2006) - entrou na lista dos acusados de corrupção e lavagem de dinheiro por causa de uma obra faraônica; está foragido nos Estados Unidos com pedido de extradição da Justiça do Peru;
Ollanta Humala (2011-2016) - detido por nove meses e solto após recurso de seus advogados, é investigado por financiamento irregular de campanha;
Pedro Pablo Kuczynski (PPK) (2016-2018) - renunciou em março de 2018 e foi preso preliminarmente em março deste ano; ele é investigado por corrupção e lavagem de dinheiro, e vídeos mostram uma suposta compra de votos de seus aliados em troca de obras.
A lista de políticos peruanos presos também inclui a líder da oposição, Keiko Fujimori. Ela é acusada de receber de forma ilícita US$ 1,2 milhão na campanha de 2011 e foi presa preventivamente em outubro do ano passado pelo prazo previsto de três anos por suposta lavagem de dinheiro.

Procurador-geral suspeito de encobrimento
As denúncias da Lava Jato peruana chegaram, inclusive, até o procurador-geral do país, Pedro Gonzalo Chávarry. Ele foi denunciado pelo próprio Ministério Público do Peru por "suposta comissão de crime contra a administração da Justiça por meio de encobrimento pessoal e encobrimento real", conforme relatou a agência France Presse.
Segundo o MP peruano, Chávarry participou de "ações para entorpecer e obstruir o acordo de colaboração com a empresa Odebrecht".

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