O banqueiro Lázaro de Mello Brandão, dos mais poderosos da América Latina, ex-presidente do Bradesco, faleceu nesta quarta-feira, 16, aos 93 anos.
Sempre com muita modéstia, de fala lenta e comedida, até os 87 anos levava uma rotina inalterada de trabalho, chegando religiosamente às 7 horas e depois das 19 horas, todos os dias.
Atuou como um reflexo de Amador Aguiar, o fundador do banco.
Nascido em Itápolis, no Interior de São Paulo, no dia 15 de junho de 1926, dedicou 76 anos ao banco, já que começou a trabalhar com 16 anos de idade.
Há dois anos, “Seu Brandão”, como era conhecido, deixou a presidência do conselho de administração do Bradesco, cargo que ocupou desde fevereiro de 1990.
Lázaro Brandão trilhou a carreira no banco passando por todas as áreas do Bradesco.
Em janeiro de 1963 foi eleito diretor e, em setembro de 1977, vice-presidente da instituição.
Em 1981, Brandão assumiu a posição de presidente do banco, ficando até 1999.
Ao que consta, Lázaro Brandão não só seguiu certas manias de Amador Aguiar, como a de evitar a contratação de funcionários com barba ou de pessoas que não tivessem religião. Mas procurou manter a filosofia do banco e a forma como Aguiar sempre lidou com o prestígio e a força do cargo. Como dizia Margareth Thatcher, “estar no poder é como ser uma dama. Se tiver que lembrar às pessoas que você é, você não é”.
Detentor da palavra final em um dos maiores grupos financeiros da América Latina, com R$ 800 bilhões em ativos, R$ 200 bilhões em depósitos, cem mil funcionários e cinco mil agências, “Seu” Brandão sempre exerceu o poder sem precisar lembrar do poder que tinha.
Nunca foi homem de declarações bombásticas, comentários corrosivos ou críticas exibidas, assim como jamais precisou alardear seu relacionamento e prestígio junto ao governo – diga-se de passagem, qualquer governo.
Assim como os demais dirigentes do Bradesco, Lázaro Brandão costumava medir o risco pessoal e institucional com o mesmo rigor com que o banco administrava sua carteira de crédito.
Responsável, tanto na presidência executiva como à frente do Conselho, por seguidos ciclos de expansão do Bradesco, Lázaro Brandão implantou diversos dos procedimentos que formam a espinha dorsal da gestão do banco.
Criou o rigoroso sistema de metas trimestrais. Também acentuou o foco na permanente ampliação da capilaridade e na prestação de serviços para todas as classes sociais, com ênfase nos estratos mais populares.
Não por acaso, entre todas as grandes instituições financeiras nacionais, o Bradesco foi aquele que mais se beneficiou com a entrada, nos últimos anos, de milhões de brasileiros no mercado bancário.
Que Lázaro Brandão descanse em paz!

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