quinta-feira, 17 de outubro de 2019

OS BOLSONARO PERDERAM. CONTINUA DELEGADO WALDIR LIDERANDO PSL


Câmara valida lista que mantém Delegado Waldir na liderança do PSL na Câmara.

Após crise interna, alas do partido apresentaram duas listas à Câmara, com dois nomes diferentes para a liderança. Delegado Waldir é do grupo contrário ao do presidente Bolsonaro. 
Por Fernanda Calgaro e Fernanda Vivas, G1 e TV Globo — Brasília


Delegado Waldir continua como líder do PSL
A Câmara validou nesta quinta-feira (17), após a conferência de assinaturas, a lista de deputados que apoiam a manutenção de Delegado Waldir (PSL-GO) no posto de líder da bancada do partido.
Das três listas de assinaturas protocoladas na Secretaria-Geral da Mesa da Câmara, duas eram em apoio ao deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro.
Uma continha 26 assinaturas válidas e outra, 24. A lista em apoio a Delegado Waldir tinha 29.
Ambas as listas do grupo bolsonarista tinham sido apresentadas com 27 assinaturas, mas algumas foram descartadas porque não bateram com o cartão de assinaturas que todo deputado preenche ao assumir o mandato. No caso de Waldir, a lista tinha 31 assinaturas, mas duas não conferiram.
A disputa pela liderança é mais um capítulo da crise interna da sigla, que se acentuou na semana passada após Jair Bolsonaro deflagrar publicamente um conflito político com o presidente do partido, deputado Luciano Bivar (PE).
Desde então, a ala do PSL que defende as posições de Bolsonaro tem protagonizado embates com o grupo aliado de Bivar, do qual Delegado Waldir faz parte. O deputado também tem feito críticas ao presidente.
A definição sobre a liderança foi tomada após a área técnica da Câmara fazer a contagem das assinaturas das diferentes listas apresentadas nesta quarta-feira (16) pelo grupo do Bivar e pela ala bolsonarista.
Após intensas articulações durante o dia, os aliados de Bolsonaro anunciaram que tinham protocolado uma lista com 27 assinaturas, número suficiente para tornar o deputado Eduardo Bolsonaro líder da bancada.
Pelas regras da Câmara, as escolhas de líderes partidários são oficializadas por documento endereçado ao presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ), assinado pela maioria absoluta dos integrantes da sigla. Hoje, a bancada PSL conta com 53 deputados.
Ainda nesta quarta, Eduardo Bolsonaro chegou a se pronunciar no Salão Verde como novo líder, afirmando que ficaria no cargo até dezembro, quando nova eleição fosse feita.
Mas não durou muito, e o grupo de Bivar protocolou outra lista com 32 assinaturas. 
Como as assinaturas das duas listas somadas ultrapassavam o número de deputados da bancada, coube à área técnica da Câmara fazer a conferência.

Resultado da checagem das listas
Segundo a Secretaria-Geral da Câmara, a primeira lista apresentada pelos bolsonaristas teve apenas 26 assinaturas validadas.
A lista do grupo do deputado Delegado Waldir, apresentada em seguida, teve 29 das suas assinaturas consideradas válidas.
O grupo bolsonarista chegou a apresentar uma terceira lista, mas apenas 24 nomes bateram com o cartão de assinaturas.
Em razão disso, a secretaria validou a lista apresentada pelos bivaristas.
Em áudio revelado nesta quarta pelo site da revista "Época" e da revista "Crusoé", o presidente Jair Bolsonaro falou com um interlocutor sobre lista de assinaturas para tirar o deputado Delegado Waldir (GO) do cargo de líder do PSL na Câmara.
"Olha só, nós estamos com 26, falta só uma assinatura pra gente tirar o líder – tá certo? – e botar o outro. E gente acerta, e entrando o outro agora, em dezembro tem eleições para o futuro líder a partir do ano que vem", afirmou o presidente.

Mais uma lista
No começo da tarde desta quinta-feira, o grupo que apoia a saída de delegado Waldir (PSL-GO) da Liderança informou que está colhendo novas assinaturas para uma nova lista, pela destituição do deputado de Goiás do cargo.
A nova lista busca definir Eduardo Bolsonaro como líder da sigla na Câmara. O anúncio foi feito pelo líder do Governo na Câmara, Major Vítor Hugo (GO), em uma rede social.
O deputado Márcio Labre (PSL-RJ), afirmou em rede social que a nova lista deve ser apresentada nas próximas horas. "Esta é a chance de reparação de uma escolha desastrosa", disse.
A sucessão de mudanças na Liderança do PSL é possível porque, de acordo com as regras da Câmara, cabe ao partido político escolher seu líder.
A praxe na Casa é que as bancadas façam reuniões, ao fim de cada ano, para a eleição do deputado que vai ocupar o posto. Em alguns casos, há disputa – resolvida por eleição; em outros, há consenso na escolha de um nome.
O Regimento Interno da Câmara estabelece que o partido deve comunicar à Mesa a escolha do seu líder, por um ofício assinado pela maioria absoluta da sigla.
A liderança pode ser alterada a qualquer momento, desde que a maioria absoluta da bancada expresse sua vontade em um documento ao presidente da Casa. Ou seja, não há limites para as listas, e o critério é o cronológico – vale sempre a lista mais nova, desde que ela atenda ao critério de ter o número mínimo de assinaturas.
No caso do PSL, são necessárias pelo menos 27, já que a bancada tem 53 deputados.
Quando chega um ofício pedindo a mudança do líder, cabe à Secretaria-Geral da Mesa fazer a checagem das assinaturas do deputados. A conferência é feita a partir dos registros das assinaturas dos deputados que a Câmara guarda, em formato digital.
Depois da conferência, a secretaria-geral produz um relatório, que é enviado ao presidente da Casa.


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