quinta-feira, 10 de outubro de 2019

QUEM FOI O CRIMINOSO? QUEM? QUEM?

Na terra indígena mais ameaçada do Brasil, base da Funai é destruída, e ninguém sabe quem cometeu o crime.
Prédio custou R$ 750 mil e foi doado como compensação ambiental por hidrelétrica. Território Karipuna sofre invasão de madeireiros e até tentativa de loteamento.
Por Carolina Dantas e Fábio Tito, G1* — Porto Velho


Estrutura construída para fiscalização foi destruída; paredes estão queimadas e vidros quebrados — Foto: Fábio Tito/G1

Um posto de fiscalização da Fundação Nacional do Índio (Funai) dentro da terra Karipuna, em Rondônia, está destruído e virou símbolo da ação de madeireiros e grileiros. O território indígena onde o imóvel foi atacado é o mais ameaçado por queimadas no Brasil – tem o maior número de focos ao redor da terra. Lá praticamente não havia desmatamento até 2014, mas, desde então, mais de 20 km² de floresta foram derrubados.
O imóvel, que deveria ajudar a evitar ataques criminosos, foi construído por uma empresa como ação de compensação ambiental. Entregue em 2016, custou R$ 750 mil, mas quase não foi usado. 
Os karipuna e o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) dizem que fiscais chegaram a trabalhar nos primeiros meses daquele ano no posto. Mas os recursos secaram, e o prédio ficou abandonado.


Índios Karipuna relatam invasões e grilagem dentro de território.
Ainda em 2016 começaram os ataques: o gerador de energia foi o primeiro item furtado. De acordo com os índios, agentes da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) foram os primeiros a ver a destruição do prédio. Foram eles que avisaram a aldeia sobre a situação.
Segundo o indígena Batiti Karipuna, o prédio já havia sido queimado e depredado, mas a vegetação ao redor ainda estava preservada. 
Com o aumento do desmatamento nos anos de 2017 e 2018, a floresta ao redor também foi reduzida.

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