Ele atuava como secretário-executivo da Casa Civil, cargo apontado como "número 2" da pasta de Onyx Lorenzoni. Weintraub assume o MEC após a gestão anterior, de Vélez, ser marcada por controvérsias e recuos.
O economista Abraham Weintraub é o novo ministro da Educação do governo Jair Bolsonaro.
Ele foi anunciado nesta segunda (8) após a demissão de Ricardo Vélez Rodríguez. Weintraub era secretário-executivo da Casa Civil, cargo considerado o "número 2" da pasta de Onyx Lorenzoni.
Antes de ir para o MEC, Weintraub atuou na equipe do governo de transição de Bolsonaro. Junto com o irmão, Arthur, foi responsável por propostas para a área de Previdência no período. Os dois foram indicados a Bolsonaro por Lorenzoni.
De acordo com o colunista do G1 Valdo Cruz, a nomeação de Weintraub funciona como uma solução de meio termo para apaziguar os ânimos de militares e do escritor Olavo de Carvalho, que disputavam nos bastidores quem iria fazer o sucessor de Ricardo Vélez Rodríguez, segundo assessores diretos do presidente Jair Bolsonaro (leia mais abaixo).
Uma das maiores críticas a Vélez era sua falta de capacidade de gerenciar o ministério, pasta sobre a qual ele nunca teve total autonomia.

Julia Duiailibi comenta que demissão de Vélez Rodriguez já era esperada.
Weintraub substitui Vélez após pouco mais de 3 meses de uma gestão marcada por diversas controvérsias e recuos.
Houve ao menos 14 trocas em cargos importantes na pasta, editais publicados com incongruências, e que depois foram anulados, além de frases polêmicas de Vélez, que levaram a críticas.
Ameaças
O ministro da Casa Civil Onyx Lorenzoni conheceu os irmãos Weintraub em um seminário internacional sobre Previdência realizado em 2017 no Congresso Nacional. Nesta mesma ocasião, apresentou os dois ao presidente Jair Bolsonaro.
Em 2018, ainda deputado, Onyx Lorenzoni fez uma requisição de audiência pública para analisar denúncias de agressões, ameaças e perseguições contra os irmãos Arthur e Abraham Weintraub.
De acordo com o documento, o motivo seria a participação deles no evento.
De acordo com o requerimento, os centros acadêmicos dos cursos de Economia e Relações Internacionais do campus Osasco da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) publicaram uma nota de repúdio contra os irmãos. O documento diz, ainda, que os irmãos foram atacados em rede social e teriam sofrido ameaças de morte. O requerimento diz, também, que a Unifesp não tomou providências contra os estudantes.
“A postura da Unifesp frente aos seus dois docentes no episódio relatado, no entanto, mostrou-se compatível com o processo de perseguição que vem sendo imposto aos mesmos, em razão de seus posicionamentos políticos, ideológicos e do trabalho científico que desenvolvem, pela própria instituição”, diz o texto.
"A doutrinação político-partidária nas universidades públicas as tem transformado, de espaço plural de educação, formação, ciência, estudo, pesquisa e integração social; em verdadeiros guetos ideológicos, dominados por arautos de verdades únicas, obscurantismo e negação de processos históricos que, valendo-se de um desvirtuado conceito de autonomia universitária, pretendem impor suas ideias e concepções e mundo sem o cotejo do contraditório", escreveu Onyx no requerimento.
Frases
Em 2010, Weintraub publicou um artigo de opinião com o título "2025: o apogeu brasileiro" no jornal Valor Econômico.
“(...) Enfim, ao redor do ano 2025 o Brasil viverá seu apogeu. Não seremos a fagulha do renascimento libertário econômico ou político, tampouco um vetor obscurantista. Nessa idade de incertezas, o Brasil, moreno faceiro, é um país inteligente o bastante para não ser radical. Historicamente, nossos movimentos são suaves. Há uma deterioração mundial, mas aqui ela é marota, quase imperceptível. Além disso, tendemos a entrar tarde em qualquer ciclo, sendo que a inércia do antigo capitalismo ocidental ainda nos gera uma dinâmica positiva”, escreveu.
Currículo
Abraham Weintraub é formado em ciências econômicas pela Universidade de São Paulo (1994). Apesar de ter sido apresentado como "doutor" pelo presidente Jair Bolsonaro, ele é mestre em administração na área de finanças pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Na iniciativa privada, trabalhou no Banco Votorantim por 18 anos, onde foi economista-chefe e diretor, e foi sócio na Quest Investimentos.
G1.
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