domingo, 11 de dezembro de 2016

PONDERAÇÕES DE JEFFERSON:

Qual o codinome da Odebrecht?
Em meio ao debate sobre as delações dos executivos da Odebrecht, muito se fala sobre os políticos, mas pouco se comenta a respeito da postura da construtora. 
A Odebrecht adotava como filosofia de atuação o lema "corromper para lucrar", portanto, não merece a celebração de um acordo de leniência no qual paga uma multa e fica livre para continuar comprando apoios e ganhando contratos. 
Já que os dirigentes da empresa gostavam de adjetivar os políticos, pergunto a você, leitor: qual o codinome que você daria à Odebrecht? 
Sugiro "câncer", e vocês?
 
Conta outra!
O político que recebeu financiamento eleitoral em Londres, nas Bahamas, na Suíça, não tem como dizer que esse dinheiro era para campanha. 
Ou vai querer dizer que o dinheiro voltou no porão de um navio, de um avião? 
Essa conversa não cola e para essa situação não há volta. 
Todo mundo vai ter que pagar a sua conta.
 
O joio e o trigo
Segundo a "Folha", a delação do executivo da Odebrecht, Claudio Melo Filho, indica que a construtora gastou pelo menos R$ 88 milhões em pagamentos a políticos. 
Entretanto, a Justiça, na avaliação das delações, precisa separar o joio do trigo. 
Há aqueles que receberam propina, e os que foram beneficiados com dinheiro de caixa dois. 
Entretanto, há também os que receberam doações legais para campanhas, e é preciso saber se esses recursos saíram do caixa dois ou das contas legais da empresa. 
Não dá para colocar todo mundo no mesmo saco.

Conversa de canalha
Uma empresa construída sob a filosofia de que corromper pessoas e instituições é crescer e lucrar, é um mal que precisa ser extirpado, um câncer que deve ser combatido. 
Uma empresa, como a Odebrecht, que até mesmo possuía um "departamento de propina", deveria ser proibida de celebrar contratos com o setor público por pelo menos dez anos. 
Um político condenado recebe, entre outras penas, a suspensão dos direitos políticos por oito anos ou mais. 
Por que a Odebrecht, que cresceu e se solidificou como empresa na base da mais deslavada corrupção, merece fechar um acordo de leniência no qual continua livre para atuar segundo sua filosofia? 
O próprio executivo Claudio Melo Filho confirmou que a filosofia da empresa era pagar e cobrar o apoio, como se os políticos passassem a dever favores a eles. 
Os corruptos precisam sim pagar pelos seus pecados, mas também não deve haver perdão para os corruptores, que conspurcam a democracia. 
O que a delação do executivo da Odebrecht mostrou foi uma conversa de canalha, de quem apostava em construir na base da corrupção, ardilosamente. 
Esse câncer tem que ser extirpado. 
Não merecem o acordo de leniência.

Transcrito do Blog do Jefferson 



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