terça-feira, 30 de janeiro de 2018

JOSÉ DO PATROCÍNIO: 113 ANOS DO SEU ARTIGO INCOMPLETO

O jornalista, orador, poeta e romancista escreveu seu último artigo em favor da causa dos animais.
Farmacêutico diplomado, mas jornalista combativo por vocação, José do Patrocínio teve uma vida marcada pela causa da liberdade. 
Em virtude de sua própria história, o mulato e filho bastardo de escrava dedicou sua vida à abolição.
Conhecido como "Tigre da abolição", José do Patrocínio passou da escrita de poesias para a prosa de temas sociais relevantes, denunciando em seus textos as injustiças da escravidão. 
Foi em 1877 que José do Patrocínio ingressou na Gazeta de Notícias, iniciando uma campanha abolicionista. Em seus textos, neste jornal, Patrocínio tinha a seu cargo a "Semana Parlamentar", que assinava com o pseudônimo Prudhomme.
Anos mais tarde, em 1881, o jornalista comprou, com o auxílio financeiro do sogro, o seu próprio jornal, chamado Gazeta da Tarde, endossando a luta pela causa dos escravos.


(Fonte: jornal Dom Casmurro, 1937)

"José do patrocínio, mulato, filho bastardo de escrava e vindo da senzala, sentia-se o legítimo representante dos escravos brasileiros”. (Trecho retirado do livro “As ruas de Porto Alegre", de Eloy Terra).
José do Patrocínio tinha 34 anos quando a Lei Áurea foi assinada. 
Entretanto, depois desse fato marcante para a história do Brasil, a vida do jornalista tomaria outro rumo. Seu prestígio, na época, começaria a decair em virtude de sua defesa pela monarquia em um momento em que ares republicanos tomavam conta do solo brasileiro.



(Fonte: acervo do Arquivo do senado Federal)

O derradeiro artigo
Quando faleceu, José do Patrocínio tinha 51 anos e deixou esposa e filhos em decorrência de um problema de saúde que o afligiu enquanto escrevia seu último artigo.
"Largou a penna. Ia levantar-se e vieram-lhe aos lábios uns escarros de sangue como que um fluxo. Foi tudo quanto se lhe notou de alarmante. Momentos depois era morto, na própria cadeira em que estivera a trabalhar". (Trecho retirado do jornal O Paiz, 1905)

O jornalista escrevia um artigo de variedades favorável à causa dos animais escravizados. Sua luta pela liberdade não se limitou ao ser humano. 
Pelas suas últimas palavras, depreende-se que o combate de Patrocínio era em prol da causa da libertação e do respeito a todos. 
Para o jornalista, "os animais têm alma" e nutre por eles um "respeito egípcio".



(fonte: jornal O Paiz, 1905)

Desde então, sua imagem é sempre relembrada, principalmente no dia da abolição da escravatura, uma data tão simbólica e significativa para este personagem.
Relembre algumas homenagens:


(Fonte: jornal A Imprensa, 1909)



(Fonte: jornal A Imprensa, 1910)


(Fonte: Gazeta de notícias, 1900)
In Migalhas Quentes

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